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Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória

Restauração

Introdução

O Outeiro da Glória, outrora chamada "Morro do Leripe" ou "Uruçumirim", apresentava-se abrupto sobre o mar e era o local, descrito por Mem de Sá, onde se encontrava a "fortaleza de biroaçumirim, com muitos franceses e artilharia."

Conquistado pelos portugueses em 20 de janeiro de 1567, sob o comando do fundador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, é local dos mais importantes na historiografia carioca. Primeiro, porque foi aí com a vitória dos portugueses, que se firmou o domínio luso na cidade; depois, porque foi deste solo que saiu ferido mortalmente seu fundador.

 

A devoção de Nossa Senhora

A devoção a Nossa Senhora da Glória surgiu no início do século XVII, alguns anos após a fundação da cidade, quando no ano de 1608, um certo Ayres colocou uma pequena imagem da Virgem numa gruta natural existente no morro. Mas as origens históricas remontam a 1671. O ermitão Antonio Caminha, natural do Aveiro, esculpiu a imagem da Virgem em madeira e ergueu uma pequena ermida no "Morro do Leripe", onde já existia a gruta, formando-se em torno um círculo de devotos. Diz a lenda que para presentear o rei D. João V, Caminha fez uma réplica da imagem embarcando-a para Portugal. O navio que a transportava naufragou e as ondas a levaram para uma praia na cidade de Lagos, no Algarve. Aí frades capuchinhos a recolheram, levando-a para o convento onde é cultuada até os dias atuais, na Igreja de São Sebastião.

 

Chegada da família Real portuguesa

A Irmandade de Nossa Senhora da Glória foi canonicamente instituída a 10 de outubro de 1739, ano em que se concluiu a construção do templo, por ato provisional do Bispo do Rio de Janeiro, Frei Antonio de Guadalupe, em resposta a uma petição dos Irmãos.

A Igreja ganhou enorme prestígio quando da chegada da Corte Portuguesa, em 1808. A família Real tinha especial predileção por ela. Em 1819 a princesa Maria da Glória foi trazida por seu avô, D. João VI, para a cerimônia da consagração. A partir de então todos os membros da família Bragança, nascidos no Brasil, são consagrados na Igreja.

 

A restauração da igreja de nossa senhora da glória do outeiro

Inaugurada em 1739, a igreja, ao longo de todos estes anos, passou por poucas obras de restauração e conservação do porte da que se finaliza agora. Foram restauradas todas as fachadas externas e internas, com a retirada cuidadosa do atual revestimento para aplicação de argamassa e pintura a base de cal. As cantarias também sofreram tratamento de conservação, com a apliação de resinas consolidantes. Toda a cobertura sofreu revisão, em especial as calhas de descida de água pluvial. A Igreja ganhou uma nova iluminação monumental. Internamente, a preocupação foi na valorização das imagens, dos azulejos e da arquitetura como um todo, tornando o ambiente mais agrádavel para os eventos religiosos. Externamente, com bastante parcimônia, a iluminação proposta cria o efeito de um “banho”de luz do luar sobre a edificação, remetendo uma sensação melancólica, tipica de cidade do interior.

 

Para se implementar a nova iluminação, todo o sistema elétrico foi revisto. Uma nova instalação foi implementada de acordo com as normas vigentes e as características arquitetônicas da Igreja. Na nave principal, todos os elementos em talha de madeira estão sendo restaurados pela Fundação Espírito Santo, de Portugal. Os três altares sofrerão interveção de caráter conservativo, com excessão dos pontos deteriorados por ação de cupins e umidade salina.

 

A obra teve o patrocínio da Petrobrás, Eletrobrás e BNDES.

 

 

Cliente: Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

Gestor e coordenador da obra de restauração: arquiteto Jorge Eduardo Hue

Luminotécnica: arquiteto José Luiz Galvão

Instalações complementares: Projem Ltda

Produção cultural: Formarte

Fiscalizção pelo IPHAN: arquiteta Yanara Costa


Projeto aprovado no IPHAN



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