SAMBÓDROMO, 40 ANOS: 1984-2024
Após 40 anos de sua inauguração, o Sambódromo de hoje está disfuncional, apresentando sérios problemas de infraestrutura que, em breve, podem comprometer a realização do “maior espetáculo da terra”. Entretanto, essa condição reflete o sucesso desta iniciativa inovadora levada a cabo por Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer: 40 anos depois, a tipologia arquitetônica inventada por Oscar, segue firme como ícone cultural e destino para milhões de pessoas mundo afora.
Além dos problemas de infraestrutura relacionados à utilização indevida do Sambódromo em função de uma demanda que só faz crescer (adaptações espaciais realizadas para atender a crescente demanda de público, gerando problemas de ordem arquitetônica), outro problema anterior a sua construção e de maior dimensão, está comprometendo a dinâmica no seu entorno: o Elevado 31 de Março. Construído na década de 60, esta infraestrutura faz parte de uma paisagem urbana que se espalhou pela cidade neste período, com as grandes vias expressas, viadutos e elevados cortando o tecido urbano consolidado. Importante lembrar que, nesta época, a cidade não possuía a rede de mobilidade urbana que hoje a serve, como metrô, BRT, VLT, linhas de ônibus (expandida), transporte por aplicativo, ciclovias, barcas (expressas), etc. Era uma paisagem coerente com sua época.
RESIGNIFICAÇÃO DAS INFRAESTRUTURAS EXISTENTES
A cidade do Rio de Janeiro de 2024 não é mais a mesmo da década de 60. Entretanto, sua paisagem urbana não acompanhou a evolução na mobilidade, mantendo um desenho urbano incompatível com as demandas da cidade contemporânea. Uma paisagem urbana defasada gera prejuízos de toda ordem que afetam diretamente a qualidade de vida dos seus habitantes e o potencial econômico de uma cidade. Prejuízos ambientais (como inundações, formação de ilha de calor, perda de biodiversidade, poluição), econômicos (redução das atividades comerciais, baixa geração de emprego, reduzida arrecadação municipal) e sociais (violência, aumento da desigualdade social) são algumas consequências que saltam aos olhos quando nos deparamos com essas infraestruturas datadas. Após mais de 50 anos, esses elementos não conseguiram produzir qualidade urbanística na cidade, e geram despesas ao invés de receitas para a municipalidade.
Nossa proposta reside na demolição do Elevado 31 de Março – entretanto, mantendo sua capacidade viária ao rés do chão - e no redesenho do espaço urbano remanescente para adequá-lo a uma nova condição urbana que tem o Sambódromo e o tecido urbano histórico do Catumbi como principais protagonistas.
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
A saída do Elevado garante espaço suficiente para equacionar todos os problemas do Sambódromo – interno e externo – e construir uma nova área residencial na cidade (4.000 unidades de 50m2 em média), com praças, parques e equipamentos de lazer e cultura, em áreas que antes eram ocupadas por vias. Com essa proposta, abrimos mais uma vertente de desenvolvimento urbano na área central da cidade, diretamente conectado com a Zona Sul, área portuária e ao novo empreendimento no terreno da Estação Barão de Mauá (de nossa autoria), interligados pelo Parque Linear “Caminho das Lanternas".
Trata-se do estabelecimento de um novo distrito de entretenimento e cultura, com alcance internacional, unindo novas residências, um centro cultural no Terreirão do Samba (com projeto assinado pelo arquiteto Francis Keré) e a reforma do Sambódromo, permitindo sua utilização o ano todo.
Projeto em desenvolvimento.
Cliente: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Local: Entorno do Sambódromo, Catumbi, Rio de Janeiro, RJ.
Área: 25 hectares
Data: 2025-2028
Equipe: Pedro Maia, Julia Carvalho, Vitor Cunha.