Home

O Globo: Rio planeja um Porto Maravilha 2.0 no entorno da Praça Quinze

Proposta do consórcio liderado pelo escritório AAA será licitado em até 90 dias

Prefeitura abriu consulta para receber sugestões antes de oferecer a área para investidores por 20 anos. Objetivo é criar opções de lazer e gastronomia na região


Em meio à agitação da Orla Conde, repleta de opções, como o novo polo gastronômico no edifício da Touring e o Museu do Amanhã, um dos extremos da região revitalizada do Porto Maravilha já conviveu com dias mais gloriosos no passado. Entre 1907 até o início dos anos 1960, boa parte da Praça da Marechal Âncora, bem ao lado da Praça Quinze, era ocupada pelos comerciantes e clientes do antigo Mercado Municipal que funcionava quase 24 horas por dia. Em 1963, o mercado foi transferido para Benfica dando origem ao Cadeg. As antigas lojas foram demolidas para permitir que o então governador Carlos Lacerda construísse o Elevado da Perimetral, que, por sua vez, seria implodido em 2013.


Mesmo com o Porto Maravilha, o entorno da praça é mais uma área de passagem do que um point. Mas isso pode mudar caso vingue um plano de transformar a região em um novo polo gastronômico e cultural do Rio, por meio de uma concessão à iniciativa privada. Nessa segunda-feira, a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) abriu uma consulta pública com a minuta de um pré-edital do projeto para receber sugestões da população antes de oferecer a área a investidores por 20 anos:


— A Praça Marechal Âncora tem enorme potencial para se tornar um grande espaço de contemplação da Baía de Guanabara, com opções de cultura, lazer e gastronomia, com acesso garantido a todos— disse o prefeito Eduardo Cavaliere.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, detalha algumas premissas da concessão. O investidor que assumir a área que segundo Osmar tem 12,2 mil metros quadrados, ficará responsável pela conservação de todo o espaço público, incluindo mobiliário urbano, calçadas, jardins e a rede de drenagem.


Em contrapartida, o concessionário poderá construir o equivalente a 4 mil metros quadrados para atividades comerciais, como restaurantes, bares e lojas comerciais. Como a área fica no entorno de bens tombados, como a Santa Casa de Misericórdia e fica próximo ao Aeroporto Santos Dumont, o gabarito máximo permitido será de três pavimentos.


— Essa será uma licitação de técnica e preço. Ou seja, será avaliado também o melhor plano de ocupação dos espaços de maneira a atrair público e movimentar a área. Será um misto do modelo que desenhamos para reabrir o Mercado São José (Laranjeiras) e revitalizar o Jardim de Alah (ainda em obras) disse Osmar Lima.


A consulta pública vai durar 45 dias. A partir daí, as propostas serão analisadas antes do lançamento do edital de concessão definitivo, em data a ser definida. O pré-edital toma como base estudos feitos por investidores privados que responderam a um edital da prefeitura para desenvolver o que é conhecido como PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), sendo ressarcidos dos gastos pelo vencedor da concessão se o projeto for levado adiante. Na parte econômica, prevê que o investidor ofereça no mínimo R$ 2,2 milhões à prefeitura para fechar o contrato sendo que 20% do valor como entrada e o saldo em 36 parcelas mensais.


— O projeto resgata uma vocação da região. Mas a área ocupada equivale a 25% do tamanho do Mercado Municipal original — diz o arquiteto Rodrigo Azevedo, integrante do consórcio que desenvolveu a PMI.


A minuta apresenta uma sugestão feita pelos autores da modelagem para a ocupação da área que servirá de referência para os interessados, que poderão oferecer alternativas. O desenho prevê 48 espaços para locação no primeiro e segundo pavimentos e no terceiro piso três restaurantes com vista para a Baía de Guanabara e construções icônicas, como a Ilha Fiscal.

Do projeto original do Mercado Municipal, apenas uma construção ficou de pé: o prédio do antigo Albamar, restaurante à beira-mar que fechou há alguns anos. O imóvel pertence ao Rio-Previdência, que chegou a iniciar um processo de cessão da área, suspenso após o escândalo do Banco Master, no qual o fundo de previdência do estado teve um prejuízo bilionário. Em julho, o governo do Estado entrou na Justiça para tentar recuperar R$ 616 milhões.



Publicado no Jornal O Globo, em 15/09/2026.

Para ver a matéria, clica aqui

E para ver o projeto, clica aqui