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O Globo: Clima é central em projeto de revitalização do Sambódromo que promete reduzir temperatura da região

As mudanças climáticas estão no centro do projeto de revitalização do Sambódromo

A temperatura deverá cair até 3°C quando a reurbanização da área for concluída, em 2029. A intervenção, que abrange cerca de 19,5 mil metros quadrados na região - hoje considerada uma das ilhas do Centro do Rio - prevê a transformação da Passarela do Samba em um grande gramado, que funcionará como um jardim de chuva, a criação de uma praça molhada na Apoteose e a arborização de todo o entorno. Nada disso comprometerá o desfile das escolas de samba, garantiu ao blog o arquiteto e urbanista Rodrigo Azevedo, autor do projeto. Segundo Azevedo, a proposta permitirá que o espaço concebido há mais de 40 anos por Oscar Niemeyer assuma, além de seu papel central para a cultura carioca, uma importante função ambiental para a cidade.


A transformação será viabilizada pela demolição do Elevado Trinta e Um de Março. No lugar da via elevada surgirá uma ampla esplanada ao lado das arquibancadas da Marquês de Sapucaí, abrindo espaço para jardins, gramados e áreas de convivência. A retirada das grades que cercam a passarela também permitirá que os pedestres atravessem livremente o Sambódromo, conectando a Sapucaí à Rua Benedito Hipólito, que será transformada em um calçadão. O novo percurso integrará ainda a futura Biblioteca dos Saberes, o Terreirão do Samba e a Igreja de Sant'Ana. As obras de demolição devem começar no próximo ano, após o Carnaval, enquanto a reurbanização da Passarela do Samba está prevista para ocorrer entre os carnavais de 2028 e 2029.


— Vejo esse projeto como uma releitura da ideia concebida por Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro nos anos 1980, quando imaginaram o Sambódromo como um espaço de cultura, educação e lazer. Com a revitalização, transformamos a Passarela do Samba em um grande parque, que poderá ser utilizado durante todo o ano pelos cerca de 50 mil moradores da região, que engloba Catumbi, Cidade Nova e Santo Cristo. Além disso, o projeto trará um importante ganho ambiental, reduzindo a temperatura em uma das principais ilhas de calor do Rio e está alinhado a tendência de mobilidade pensada para o século XXI — afirma Azevedo, 


Assim como ocorre em grandes estádios de futebol, o gramado da Passarela do Samba contará com um sistema de cobertura para os desfiles de Carnaval e para grandes eventos. Além da redução da temperatura, Azevedo destaca que o conceito de jardim de chuva — com a substituição da área totalmente pavimentada por um solo permeável coberto por vegetação — permitirá que a primeira água das chuvas, normalmente carregada de resíduos das ruas e encostas da região, seja absorvida pelo terreno. Com isso, além de reduzir a formação de bolsões de água, frequentes durante temporais, o sistema ajudará a reter impurezas no solo antes que a água siga para a rede de drenagem, diminuindo a contaminação dos rios e da Baía de Guanabara. 


A proposta de requalificação da Passarela do Samba mantém toda a estrutura concebida por Oscar Niemeyer, incluindo os emblemáticos arcos da Apoteose e as arquibancadas. Anexas a arquibancadas, serão construídas seis edificações anexas, cada uma delas com dois mil metros quadros, o que acrescentará, ao todo, 12mil metros quadrados de novas áreas comerciais ao Sambódromo. O plano prevê ainda a construção de aproximadamente quatro mil moradias no entorno.


— A ideia é criar um comércio de bairro, um centro de abastecimento da região, com lojas, bares, restaurantes, papelaria, supermercados e outros serviços capazes de atender aos moradores e frequentadores do parque e os visitantes do Sambódromo ao longo de todo o ano — afirma Azevedo.”



Publicado no Jornal O Globo, na coluna Miriam Leitão, dia 29/07/2026.

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